História e constituição

A História da Tempus Humanus: Um Legado Nascido na Adversidade

A génese da Tempus Humanus remonta a fevereiro de 2021. O país atravessava o pico avassalador da terceira vaga da pandemia de COVID-19, com os hospitais em rutura e as imagens de filas de ambulâncias a marcarem a memória coletiva.

Enquanto o país pedia ajuda internacional e recebia equipas médicas alemãs para evitar o colapso total do SNS, e enquanto a população vivia confinada sob um rigoroso “dever de recolhimento”, travavam-se batalhas silenciosas nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI). Uma em particular moldou positivamente a génese desta associação.

Foi durante a passagem para a Unidade de Cuidados Intermédios que algumas ideias surgiram com mais lucidez, no meio de pensamentos confusos, de luta, de sobrevivência e de esperança.

Já na enfermaria geral, o mentor e sócio-fundador, António Chaves, idealizou este projeto. Confrontado com a fragilidade da vida, com o caos envolvente e com a crença na potencialidade que cada um de nós tem para se reconstruir, decidiu deixar um legado de ações, de conhecimentos, de técnicas e de obra feita, pautado pelo humanismo e sentido sistémico.

Esta forma de estar na vida, que destaca a economia humana como primordial para o bem-estar de cada um – deixando para segundo plano a economia mercantil do lucro e da troca – foi mais uma das bases da consolidação deste projeto. O seu gosto por ensinar e paixão por aprender são características que fazem acontecer, que potencializam mudanças em coprodução e numa ótica de sustentabilidade holística.

No limiar da sua sobrevivência e de tantas outras, surgiu a convicção de que era necessário resgatar o “tempo para se ser humano”, e partilhá-lo em comunidade.

Desta reflexão profunda nasceu o nome e a alma da associação: TEMPUS HUMANUS – ASSOCIAÇÃO PARA A SAÚDE E DESENVOLVIMENTO HUMANO.

“TEMPUS HUMANUS” (latim) reflete uma intenção de conferir universalidade, intemporalidade e rigor à associação. A escolha do latim pretende levar o conceito a um princípio intemporal, alinhado com o rigor técnico e terminologias científicas que estarão presentes nas ações técnicas da associação. “Tempus” refere-se ao conceito absoluto do tempo – provavelmente um dos bens mais preciosos, menos valorizados e visíveis da humanidade – e “humanus” remete para a natureza humana de cultura e bondade.

Assim se consolidou a escolha de tempus humanus, descrevendo os tempos difíceis que se viviam em 2021 e estabelecendo um propósito mais eterno, para que a humanidade se dê tempo para ser humanidade, sustentada em si mesma, na ciência e no rigor. Não apenas como uma organização de saúde, mas num apelo ao regresso da humanidade no tratamento e desenvolvimento do outro, com sentido de equilíbrio das necessidades e potencialidades que cada indivíduo e comunidade têm.

Ainda em fase de recuperação clínica, de uma COVID muito longa e persistente, o sócio-fundador contactou o seu colega “ispiano” e amigo de longa data, António Fula, e desafiou-o a juntar-se à causa para viabilizar o nascimento funcional da Tempus Humanus com um olhar para a saúde e para o desenvolvimento humano, de forma humanitária e sistémica. O convite foi aceite, unindo dois percursos e somando à amizade os temas da psicologia e da terapia familiar e sistémica.

Em paralelo com o desconfinamento gradual do país e do mundo, a 21 de maio de 2021 – ainda em fase de recuperação – deu-se a concretização formal, o sonho passou ao papel. (NIPC 516452967).

A associação foi oficialmente constituída em Lisboa. Os estatutos então assinados por ambos refletiam exatamente a vontade nascida nas unidades de cuidados hospitalares: a promoção da saúde não apenas como ausência de doença, mas como um estado de completo bem-estar físico, psíquico, sociocomunitário e ambiental, com o foco no alívio do sofrimento e desenvolvimento humano.

Novos amigos e familiares se foram juntando para possibilitar a criação de uma estrutura, acreditando e confiando no seu propósito.

Estes amigos, os nossos atuais sócios-fundadores beneméritos, foram fundamentais para que a Tempus Humanus ganhasse solidez, força e desse os seus primeiros passos.

A 15 de agosto de 2021, realizou-se a 1.ª Assembleia Geral, com os seus 16 sócios fundadores e beneméritos. Como a pandemia ainda impunha restrições, esta reunião decorreu on-line, e foi neste ambiente digital que se definiram as linhas orientadoras, a marcação da eleição dos órgãos sociais para o dia seguinte, os emails, a imagem e cultura corporativa provisória.

Logo TH

A identidade visual espelha este percurso: o “T” do logo, desenhado à mão em rascunho, destaca a adversidade; não é rígido, previsível nem perfeito

Os traços imperfeitos do “T” têm o seu equilíbrio no rigor de humanidade nas restantes letras, que parecem manuscritas. Procura-se assim o equilíbrio entre a imprevisibilidade, fragilidade e potencialidade humana e o rigor, ético, técnico e científico.

Na assembleia seguinte foi feita a eleição dos órgãos sociais por cinco anos, materializando finalmente o projeto. Assim se concretizou o desejo de “termos tempo de sermos humanos” em comunidade, idealizado meses antes numa cama de hospital, e que hoje apresentamos assim: